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CREA-PR e AREAC debatem biogás como energia alternativa


Engenheiros agrônomos, civis, agrícolas e profissionais da área do agronegócio reuniram-se nesta sexta-feira (27), na Areac (Associação Regional dos Engenheiros Agrônomos de Cascavel), em Cascavel, para participar de um workshop voltado para discussão do biogás, uma alternativa de energia renovável rural e agroindustrial. O evento foi promovido pela Câmara Especializada de Agronomia do Crea-PR (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Paraná) com apoio da Areac, da FEAPR (Federação dos Engenheiros Agrônomos do Paraná), da Apeag (Associação Paranaense dos Engenheiros Agrícolas) e da Abeag (Associação Brasileira dos Engenheiros Agrícolas).

O primeiro palestrante do dia foi o assessor do diretor brasileiro da Itaipu Binacional e referência nacional em pesquisa e atuação na geração de biogás, Cícero Bley Junior. Ele falou sobre a Agroenergia, que é uma perspectiva nova de trabalho para os engenheiros agrônomos, envolvendo uma nova cadeia econômica que se estabelece com desafios normativos, técnicos, legislativos, tributários entre outros. “Tanto na energia solar, eólica ou biogás, temos que estar preparados. O setor de energia é muito regulado e complexo e é necessário conhecer todos os processos”, alertou.

De acordo com Cícero, o Brasil nos últimos três anos deu passos gigantescos na geração de energias renováveis. “Em grande escala já existe no nordeste, em terras que não serviam nem para plantar cactos, torres eólicas com grande potencial, gerando renda aos produtores de lá. Hoje ela já representa quase 10% da matriz energética brasileira”, informou.

Ele também falou sobre as novidades do setor, que agora pode beneficiar quase todos os produtores da região. “Hoje nossa batalha é para abrir a geração descentralizada, ou seja, que ela possa ocorrer em várias locais. No dia 24 de novembro a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) melhorou a norma regulatória 482 de 2012 e ampliou a possibilidade de geração descentralizada de 1 para 5 megawatts, podendo assim enquadrar praticamente todos os produtores da nossa região”.

Logo em seguida, o chefe adjunto de pesquisa da Embrapa Suínos e Aves, Airton Kunz, deu uma aula sobre os biodigestores no Brasil e no mundo e falou sobre os cuidados necessários para boa eficiência na geração, como evitar que entrem sólidos, plásticos, resíduos de animais mortos, borrachas entre outros no biodigestor, pois eles prejudicam muito a geração de energia e podem causar problemas no maquinário. “Outra coisa muito importante é o tempo de armazenamento desses dejetos antes de entrar no biodigestor. Quanto mais rápido for feito esse processo, melhor será o processo de biodigestão. À medida que esse material vai ficando muito tempo armazenado, ele começa a entrar em um processo de degradação que influencia negativamente na geração de biogás”.

Quem deu continuidade às apresentações foi o professor da Unioeste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) de Marechal Cândido Rondon, Armin Feiden. Ele apresentou aos participantes informações sobre o potencial dos substratos na produção de biogás. Ele também fez um alerta sobre a nova regulamentação do biometano. “Ela deixa dúvidas sobre uma série de assuntos. Ela define o biometano, por exemplo, como sendo um biogás purificado, mas ela não deixa claro em quais situações o produtor terá que se enquadrar na resolução. Se ele retirar umidade do biogás, automaticamente pode ser considerado como biometano e a partir disso, ele terá que atender uma legislação muito rigorosa. O Crea-PR pode intervir junto a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) para possibilitar uma melhor interpretação”.

Durante a tarde, Osvaldo Kuczman, presidente da Associação Paranaense dos Engenheiros Agrícolas, falou sobre o tratamento de subprodutos como geração de energia. Ele explicou como biodigestor funciona, quais os requisitos e destacou alguns pontos necessários para seu funcionamento. Osvaldo também apresentou uma pesquisa de pós-doutorado sobre um biodigestor protótipo na Unioeste. “É fundamental entender que quem tem um biodigestor ou quem o opera tem ali seres vivos. Ele age como um suinocultor, um bovinocultor, pois está lidando com vidas. Um biodigestor produz biofertilizante e biogás e dentro desse processo atuam as arqueas metanogênicas, que são as principais estrelas do processo. Quem o opera nós podemos dizer que é um arqueocultor”. O engenheiro civil Regean Gomes encerrou as palestras falando sobre a segurança na operação de biodigestores.

No fim da manhã e da tarde, uma mesa redonda com os palestrantes foi promovida. O diretor-financeiro da Areac, engenheiro agrônomo Marcos Marcon, é de suma importância a participação de todos os engenheiros agrônomos quando o tema é biogás, principalmente quando envolve a regulamentação de sua utilização, embasada em parâmetros ambientais, sociais e econômicos.

Uma oportunidade para os presentes tirarem dúvidas e trocarem experiências com os profissionais. Segundo o vice-presidente do Crea-PR, Orlei Jayr Lopes, a Câmara Especializada de Agronomia do Crea vem periodicamente promovendo eventos de interesse dos profissionais com o objetivo de atualizá-los. “A área de energia é uma delas, que despontou com uma das principais em decorrência da imensa possibilidade de atuação. O biogás está mais em voga, uma vez que na região Oeste e Sudoeste existe muito potencial para sua geração, que pode causar economia e uma outra renda aos produtores”.

O presidente da Abeag, Valmor Pietsch, disse que outro objetivo do evento é o de que a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) crie normas técnicas para fabricação dos equipamentos que produzem o biogás. Além disso, ele disse que a ideia também é iniciar a discussão de que se há necessidade de que exista um profissional responsável pela manutenção desses aparelhos.

(Comunicação AREAC)

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